Um é tudo, tudo é um.

Janeiro 27, 2008

No More Heroes – Primeiro Review Brasileiro

Arquivado em: Game Review — anjodark @ 1:31 am

Os punks ainda vivem!

No More Heroes, o jogo criado e dirigido pelo game designer Suda 51, foi lançado nas Américas no dia 22 de janeiro de 2008 e faltaram cópias no dia do lançamento e semanas posteriores. Ao contrário do Japão, já que no lançamento do game, o também criador de Killer 7, Suda 51, acompanhado do produtor Yasuhiro Wada (criador de Haverst Moon), ficaram prostrados em uma loja no Akihabara (centro otaku e nerd de compras no Japão) sem vender uma cópia durante mais de 20 minutos. Olha que nossos amigos japoneses ainda tinham direito a um autógrafo dos dois grandes criadores de games, e mais um brinde um tanto que cômico. Papel higiênico com imagens relativas ao game impressas.

 

O citado anteriormente serve para justificar uma coisa: No More Heroes não é um jogo para todos. Mas, isso não o faz um game ruim, pelo contrário… No More Heroes é uma experiência estilosa, hardcore, alucinante, bizarra, engraçada, sangrenta e hipnotizante no seu Wii. Como nem todos curtem este estilo de experiência nova, ou mesmo antiga e revivida, o game pode desagradar muito mesmo quem não o entenda de inicio. Por outro lado, pode se tornar um dos jogos favoritos da sua coleção de Wii. Nesta análise, você vai saber se NMH (permitam a abreviação) se encaixa nos seus jogos dos sonhos ou pesadelos digitais.

 

 

Bem Vindo a Santa Destroy!

Travis Touchdown, protagonista de NMH é um morador da cidade Santa Destroy. Uma cidadezinha localizada na costa oeste dos Estados Unidos. Travis é um cara que curte desenhos animados japoneses, vídeo games, filmes de ficção científica e outras coisas cult. Sem grana e entediado da vidinha na pacata cidade, Travis resolve comprar uma Beam Katana num leilão da internet e ser reconhecido como assassino Nº 1 da UAA – uma associação que dá ranking a assassinos e os cadastra – descolando então uma grana e vida boa. A Beam Katana, além de ser sua arma principal, ela lembra um Sabre de Luz da série Star Wars.

Ter uma arma como de um Jedi não é a única coisa para ser o Nº 1, entre outras coisas, estão o treino físico, contato com lojistas e disciplina de conduta de um assassino. Bandidos também tem regras e costumes não é, pois bem, Travis começa na posição Nº 11 e tem de amadurecer, se fortalecer e derrotar inimigos para chegar ao topo!

Tudo começou quando Travis matou Helter Skelter, um assassino de ranking 11th. Sylvia, uma agente da UAA aparece e diz que ele é o número 11 agora, mas pode chegar ao topo se matar os outros assassinos que ocupam as demais posições. A cena da luta de Travis contra Skelter pode ser conferida aqui:

http://br.youtube.com/watch?v=Aagkw88abhU

Esta cena do vídeo não é obviamente in-game e muitas das coisas legais que você vai morrer de rir, acontecem assim, em cutscenes. Algumas delas interativas, como ocorreu em Resident Evil 4 e Resident Evil: Umbrella Chronicles

O Jogo começa com Travis indo em busca do 10th no ranking, daí você pode aprender a respeito dos golpes e ir se acostumando com os controles, que apesar de serem mais abertos do que de Killer 7, possui suas particularidades. Você não controla a beam katana com o wii remote como faz no jogo de Baseball do Wiisports, nem mesmo como no de Soul Calibur Legends. De inicio é estranho, parece uma regressão no modo de jogar já que estamos falando de controles com sensor de movimento, mas não é bem assim… Você aperta o botão A para desferir golpes e controla a direção de Travis com o analógico do nunchuck. Trava a mira no oponente com o Z, chuta com o B e quando finalmente seu combo e a energia do inimigo tiverem terminado, você movimenta o wii remote como se fosse cabo da Beam Katana (na direção indicada na tela) para cortar o inimigo em dois, pedacinhos, a cabeça ou qualquer outra coisa. Tudo com muito sangue jorrando ao estilo Kill Bill. (Somente na versão americana.)

Após arrombar a mansão do 10th, você deve matar dezenas e mais dezenas de inimigos que cumprem cegamente a ordem do chefe de não deixar ninguém passar, mas como eles não são nada além de cópias mal feitas dos 88 loucos, sempre morrem e abrem passagem para você chegar no mestre. O clímax das missões principais está nas lutas contra os assassinos de ranking, ou, vulgo “mestres”.

Antes de cada luta destas, há uma cutscene fantástica, bem humorada e nosense, a maioria dos vilões mostram seus poderes e especiais nessas cutscenes e você pensa “F#$%! Droga!” isso aumenta a tensão e expectativa a respeito da luta, mas como um verdadeiro nerd/otaku em seu mundo style e cool, você vai virar o jogo de qualquer forma! Vencer é a meta, nem que custe a sua vida ou você precise incorporar o espírito super sayajin que há em você.

Enfrentar seus oponentes para subir de nível é incrível, são cada um mais doido que o outro, Travis parece ser um cara normal ao lado deles. Talvez seja porque ele é um gamer, otaku, nerd e jovem, normal não é? Arhn… bem, voltando aos bizarros, seus alvos são caras muito peculiares! Como um cara que possui um raio anti-matéria bem na região do pênis, se veste de super herói, tem metralhadoras nos mamilos… Outro que é um apreciador de bons duelos estilo Western e compartilha o hobby de cantar, uma menina afro-samurai, um mágico de horrores, entre outros que prefiro não estragar a sua surpresa.

Os seus “companheiros” de ranking da UAA não vão dar mole para você, por isso, antes de enfrentá-los é bom que treine no Thunder Ryu, um coroa metido a samurai, proprietário de uma academia bem equipada. Contudo, você deverá visitar sua amiga Naomi para fazer upgrades na Beam Katana. Tudo custando dinheiro, nada aqui é de graça.

Cada vez que você derrota um “colega” de ranking, você habilita novas lojas, áreas e coisas da excêntrica cidade de Santa Destroy. Para enfrentar um novo concorrente da UAA, você precisa pagar uma quantia do seu registro no ranking. Você conseguirá dinheiro com as part- time job, que são missões nas quais Travis irá fazer “bicos” como: Catar lixo na rua, cortar a grama, trabalhar de frentista, coletar cocos para o vendedor na praia, apagar pixações dos muros e muito mais.

Não se assuste, Travis não é tão imbecil assim quanto você está pensando, ele também ganhará dinheiro com missões de assassinato. Estas darão mais grana para você, e também são as mais legais de serem feitas, o único porém é que nas missões principais de ranking da UAA, você mata, mata e mata mais uma vez… Então, as part-time jobs são uma forma de descontrair e ganhar um dinheiro mais limpo, afinal, Travis tem um bom coração. Duvida? Ele tem até um gatinho no seu quartinho do Motel.

Travis mora no Motel “No More Heroes” que dá nome ao jogo, então percebe-se que o jogo é uma espécie de biografia de Travis e sua vida enquanto no “No More Heroes”. Por isso, muitas das coisas que você irá ver, sentir e jogar no jogo são surreais. Os gráficos parecem de uma HQ (há momentos em que personagens sem interesse ficam em preto, cenário riscado e só os protagonistas que interessam coloridos e vivos) e há referencias a todo instante sobre demais coisas da cultura nerd. A cidade se parece com San Andreas de GTA, mas tecnicamente falando, a programação dela é diferente, mais limitada e mais vazia. Ela não é GTA, e não estamos em GTA. Devemos lembrar que aqui é No More Heroes, a cidade é um borrão na sua memória e localização fixa dos seus inimigos e sua “casa”.

Killer 7 possuía um estilo peculiar pois se passava na cabeça doentia de um assassino com 8 personalidades diferentes. NMH é a vida aos olhos e mente de um otaku ou nerd, por isso ele é esquisito, tosco para uns e maravilhoso para outros.

Certamente você que é um gamer inveterado sabe o que é comparar determinadas situações do seu dia-a-dia com um game ou filme, achar que certo personagem do anime é parecido com você, ou até mesmo amar algum personagem da ficção como se ele existisse (Travis faz isso). Então respeite o conceito dos games de Suda 51 e curta a estadia em Santa Destroy como se fosse um amigo de Travis, se conseguir, não irá se decepcionar.

Estilo é tudo!

NMH tem estilo, isso é fato. As músicas são bacanas e grudam na mente. O character design é “cool”, e as armas, lutas são inspiradas no universo em que Travis devaneia nos pensamentos dele. Um exemplo e sua moto que usará para ir em todos os locais, ela lembra a do Júpiter (Takeda), do seriado japonês “Cybercops” .

Não se assuste de achar em NMH alguma imagem que te remeta ao universo do grafite artístico, tem bastante por toda parte. As roupas usadas pro Travis são com estilo puxado pro punk indo um pouco pro clubber. Isso deixa o personagem único em meio a outros games de ação que podemos pegar por aí ou medievais.

As coisas em NMH ficam cômicas para descontrair a violência aplicada, se tiver bom humor você vai rir até com a tela de save. Nela, Travis está atendendo um chamado da natureza, fazendo um número 2 e gemendo de alívio.

Suda 51 fez questão de por no jogo uma música de uma Banda chamada “Genki Rockets” que toca por toda parte que você entra, é como se estivesse estourada nas paradas de sucesso. E se você curtiu o estilo do game, a história e o personagem principal, vai curtir a musica também. Para ouvir: http://www.mp3tube.net/musics/Genki-Rockets-Heavenly-Star/108589/

A loucura e o “Fo#%-se” nas coisas deixa o game relaxante e viciante, quando você pensa que viu de tudo nele, se surpreende ainda mais. Isso conta para que assista todas as cutscenes, compre os vídeos, mate todo mundo e termine o jogo. (E digo que vale mesmo a pena!)

Ajude Travis a chegar ao topo, ele é um cara legal que só quer se dar bem, mas infelizmente Santa Destroy não lhe deu muitas opções. Quem sabe sendo o Nº 1, Sylvia dará mole pra ele.

Aguarde muitas surpresas, piadas, sangue nesse jogo. Ele possui uma proposta particular como já citado e não deve ser comparado a outros games famosos por aí, pois NMH é NMH, os outros são os outros. Tudo que possa parecer tosco aqui é proposital ou não relevante à mensagem que o game passa. Jogue como se lesse um mangá ou HQ nova e se divirta.

Se achou tudo citado acima interessante ou legal, pode jogar No More Heroes avontade, o game foi feito para você.

 

 

Considerações Finais

Gráficos: São estilosos, são particulares, são bem feitos no geral. Porém, pecam em alguns momentos como a queda de frame rates em certos momentos, falha no encaixe de alguns polígonos dos cenários e cenários que poderiam ser melhor. Apesar de terem efeitos bacanas.

Som: Muito bom, quase chega à perfeição se não fossem tão poucas as musicas. Mas, os efeitos de corte, Beam Katana ligando, dublagem e etc não deixam nem um pouco a desejar. São verossímeis. Musicas da trilha sonora são bem trabalhadas, e a inclusão da banda Genki Rockets contribui para isso.

Jogabilidade: O jogo possui uma jogabilidade adaptada para o Wii Remote e uso de seus recursos muito bons, criativos e que não cansa. Pode parecer repetitiva, travada e estranha. Basta jogar duas horas que você estará aplicando os mais diversos movimentos do jogo com naturalidade e querendo ir para o próximo chefe de fase.

Diversão: Se você não se divertir com esse jogo é porque é um chato! O jogo é engraçado, fazer os part-time jobs é divertido, matar e ver sangue jorrar das mais bizarras formas também. Dá para assistir alguns vídeos especiais comprados no Beef Head, pondo-os na sua TV lá no Motel fora que as insinuações, diálogos e xingamento de Sylvia para com Travis são impagáveis. A luta com os chefes são inesquecíveis e únicas, existem surpresas divertidas entre elas. Jogar te faz feliz nesse jogo. Cada segundo e missão nova te animam.

Replay: Talvez esse seja o quesito que não traga tanta felicidade para quem se aventurar com Travis. A cidade é pequena e mal feita só para ter motivo de você viajar nos locais até chegar nos benditos assassinos rivais, as missões secundárias só servem pra juntar grana e viver, a única coisa que vale jogar NMH novamente após tê-lo terminado, são as lutas com os chefes e a dificuldade maior. Enquanto não terminar o jogo, você sempre vai querer jogá-lo assim que ligar o Wii, para assim poder rir de Travis, com ele e suas desventuras. Comprar roupas, óculos e acessórios pra ele ficar cada vez mais “cool” e desfrutar das musiquinhas, mini-games e extras do jogo. Depois que terminá-lo, o game ficará no seu coração por um bom tempo.

 

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