Um é tudo, tudo é um.

Dezembro 30, 2007

FELIZ 2008 PARA TODOS!!!

Arquivado em: Spirit of Angel — anjodark @ 9:52 pm

Certa vez quando Xiaryu acordou, viu que se sentia chateado e insatisfeito… Não sabia bem o por que, mas o dragão forte e imponente que conseguia tudo pela astúcia e força começou a olhar ao redor…

 

… Então ele observou as pessoas do vilarejo que costumava explorar, elas estavam ocupadas com suas ilusões que achavam serem verdades do universo. Xiaryu olhou para si mesmo e percebeu que também vivia uma ilusão, de que ignorara e menosprezara aqueles que viviam por ele e lhe davam o prazer que tanto gostava, mas na verdade eram importantes…

 

 

Mesmo assim, Xiaryu continuava insatisfeito… Queria algo que lhe fizesse o coração pulsar novamente de felicidade e satisfação. Mas nada adiantara bem, então resolveu abrir seu antigo livro de magias. Empoeirado e esquecido por ser complicado, a herança dada pelo antigo Xandu a ele parecia interessante agora.

 

Então Xiaryu achou um feitiço simples que continha no livro e ele por desinteresse, nunca havia notado. De se tornar um belo e atraente jovem humano, com todas suas habilidades de imponente dragão que era. E o fez… Desenhou os círculos mágicos necessários, sacrificou os animais e oferendas necessárias, então sentiu um golpe fulminante no peito que o fez deixar de enxergar e respirar… Entrou em desespero, mas tudo escureceu…

 

Quando recuperou sua consciência, estava nu, de barriga pra cima e pequeno… Miúdo demais para ser o que era, dera certo afinal! Foi até o lago e viu sua imagem refletida, tinha cabelos longos e lisos, olhos verdes grandes e sérios, músculos fortes, mas algumas falhas na pele, mostrando finas escamas verde. Tratou de invadir a alfaiataria do vilarejo e ordenou ao velho quase cego que lhe fizesse a melhor roupa.

 

O velho fez, ganhou um bom pagamento por isso. Xiaryu saiu belo, vestido como um príncipe a procura de diversão… Até que então…

 

Ele percebeu que uma pessoa não o admirava, não caíra naquela perversa brincadeira de se fazer humano. A mulher mais linda que ele já tivera visto na vida, e aparentemente que ele nunca tinha visto antes também. Não olhava pra ele, não acompanhara os risos animados das outras moças e nem o encarava. Xiaryu ficou enfurecido, voltou à sua caverna e pensou como poderia conquistar a atenção daquela jovem.

 

Xiaryu pensou, pensou… Relembrou-se de todas as coisas que aprendera com o velho Xandu, de quando viam os humanos cortejando seus pares em busca de um “amor”. Amor? Xiaryu não sabia o que era isso, dragões não precisam de amor! Dragões precisam de força e magia, apenas isso! Ah é claro… Servos amedrontados…

 

Xiaryu decidiu então brincar com ela e conquistá-la à força. No dia seguinte ele desceu novamente ao vilarejo, as pessoas o tratavam como um grande nobre, pelas vestes e forma como aparecia. Sempre cheio de pompa, sempre cheio de autoridade e força… Xiaryu voltou àquela praça cheia de cerejeiras e as flores da árvore caíram por toda parte com um forte vento… A moça estava lá de olhos fechados, sentindo o vento em seus cabelos e as pétalas caírem no seu colo.

 

Ele nunca vira alguém tão tranqüila assim, em poucos minutos mais moças ficavam as costas dele o admirando, então ele parou de hesitar e deu quatro passos a frente. A garota que nunca o encarava ou dava confiança, olhou para ele com ar tranqüilo e sorriso suave.

 

- O que você quer? – a voz dela era suave e envolvente como o vento dali.

- Não é óbvio, tola? VOCÊ! – Xiaryu fez um cara nervosa e intensa cerrando os olhos.

- Desculpe, mas não sou sua – ela riu e voltou a fechar os olhos.

 

- COMO OUSA? Não sabe quem sou!?

- Não, mas parece ser arrogante e burro. – a voz macia, suave e envolvente por mais doce e saborosa que fosse, deixava Xiaryu irado com esses insultos.

- Eu sou aquele que te deseja! Que quer algo diferente, aquele que mora na montanha! QUE EXIGE SUA ATENÇÃO, POIS VOCÊ TEM QUE ME FAZER FELIZ!!! XIARYU! O INDOMÁVEL DRAGÃO! ESTE SOU EU! – as pessoas que antes observavam a cena, saíram correndo, outras se abrigaram atrás de pedras para querer espiar o que aconteceria.

- Um dragão é? Não vejo nada além de um homem bobo, querendo prazer com uma dama e berrando coisas grotescas. – Ela o encarou séria nos olhos, o coração de Xiaryu palpitou e seu estomago revirou.

 

- Veja! Eu sou um Dragão! Transformei-me em humano para procurar o que pudesse me dar felicidade e satisfação novamente! – Ele rasgou suas vestes, mostrando seu belo corpo musculoso e bem definido, porém, cheio de falhas como tatuagens em alto relevo, mas eram escamas verde-brilhantes.

- E o que encontrou? Ilusão. Sua própria cabeça querendo algo bom dos outros, de alguém que estava simplesmente o ignorando… Enganou-se querendo ser o que não era, esperou demais de alguém e não soube fazer si próprio algo que todos pudessem retribuir. GRANDE FEITO!

- Quem é você? Não sabe de nada!

- Sou Xandu, desci dos céus para lhe explicar isto Xiaryu… O verdadeiro prazer e felicidade das coisas estão em saber conservá-las, dividi-las e receber retribuição pelo seu empenho, mesmo que seja de uma única pessoa. Daí não será ilusão.

- Mas aqueles que opõem a mim? – Xiaryu estava furioso.

- Estes só te aborrecem pois você não sabe entendê-los, são para seu bem, para mostrar o que você faz de errado ou que precisa ter paciência. Sem “mas” você foi ridicularizado, esta vila não precisa de você!

 

Xandu se transformou novamente em o divino dragão que era, rodeou a vila em um vôo lindo e iluminado, abriu a boca e deu um rugido antes de subir aos céus e desaparecer… Xiaryu envergonhado foi embora da vila sendo xingado e humilhado, o feitiço se desfez e procurou outro lugar para ficar e recomeçar.

 

 

 

 

 

Edmilson Ferreira Costa, 29 de dezembro de 2007.

 

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